Poupar na compra de carro tem limites
Jul 15, 2011 informação
Os tempos são difíceis, especialmente nos países da periferia da Europa, afectados pela crise despoletada pela especulação, má gestão pública e privada, mas os cidadãos não parecem dispostos a mudar de hábitos de consumo, pelo menos em determinadas áreas. Uma destas é respeitante ao seu automóvel, pois enquanto na maioria das actividades escolhem frequentemente alternativas mais baratas, os europeus apresentam uma grande renitência quanto à aquisição de um veículo da gama low cost.
A resistência em comprar um automóvel abaixo dos cinco mil euros – preço referência da denominada esfera de baixo custo – é uma das principais conclusões do recente estudo da Cetelem, no qual a empresa pretendia identificar as tendências actuais dos consumidores do Velho Continente. Os resultados da investigação revelam ainda, entre outras informações, que boa parte daquela oposição se deve a aspectos sociais como o estatuto perante os demais e não motivos de ordem racional, ao contrário do que era previsível acontecer tendo em conta a situação de incerteza constante que uma parte considerável das pessoas enfrenta presentemente.
Embora a importância de actividades tenha caído substancialmente e, por conseguinte, o peso destas seja menor no orçamento mensal, aquando da troca de carro são poucos os europeus a escolherem os automóveis mais acessíveis.
Curioso é verificar que são os cidadãos ingleses (os mais ricos da Europa, a par com os alemães, suecos, holandeses e luxemburgueses) que afirmam não ter problema em adquirir um veículo abaixo dos oito mil euros (62%), enquanto os portugueses e espanhóis dizem ter dúvidas quanto a este tipo de negócios, com apenas 13 e 31 por cento, respectivamente, mencionarem que não teriam quaisquer problemas em enveredar pela gama low cost.
No panorama geral, cerca de 22 por cento dos cidadãos europeus escolheriam veículos com preços entre os cinco e oito mil euros e mais de metade dos inquiridos no estudo da Cetelem dizem que comprariam um carro por mais de 10 mil com “total confiança”, o que já não fariam caso a aquisição fosse de um veículo de baixo custo, justificando-o com a insegurança que esta importância mais residual suscita quanto ao design, conforto e segurança, mas essencialmente pelo estatuto social a que se associa.
O sector da venda automóvel em Portugal registou no ano 2009 um dos piores anos de sempre e nem a lei de incentivo ao abate salvou a indústria de quebras acentuadas, a que apenas o segmento de luxo escapou. No ano passado os resultados pouco se alteraram e para 2011 espera-se uma nova contracção dos ganhos, sobretudo devido ao pessimismo quanto à situação que o país vive (62% dos portugueses não acredita que haja melhorias significativas antes de 2014) e um aspecto que está nas mãos do próprio sector: é em território nacional que se vendem os carros aos preços mais elevados da Europa e onde se encontram os combustíveis aos custos mais elevados de toda a União Europeia.
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